Segui minha intuição e comecei uma faculdade depois dos 30

Conheça a história inspiradora de Alzira Lucia. Ela escutou seu coração e juntou forças para finalizar seus estudos

Aos 61 anos, Alzira não para! Mesmo depois de servir por 27 anos como professora –, a vovó de onze netos adora colocar a mão na massa, seja costurando peças para seus pequenos ou cuidando de suas amadas plantinhas. E toda essa energia se reflete em sua história de vida, que daria um belo livro, como ela mesma gosta de dizer.

Nascida no interior do Paraná, na cidade de Bandeirantes, Alzira teve uma infância extremamente sofrida, assim como a de inúmeros brasileiros. Desde muito cedo trabalhou na roça, cortando cana-de-açúcar e colhendo café, também ajudou na criação de seus irmãos mais novos e enfrentou diversos problemas no relacionamento com seus pais. “Mesmo sem nem poder sonhar eu me permiti imaginar um caminho diferente do que as pessoas da minha família tinham trilhado até aquele momento. Mas eu sabia que essa mudança só viria se eu conseguisse estudar”, conta.

Pé na estrada e esperança na bagagem

Com apenas 17 anos, Alzira sentia-se extremamente cansada. Porém, nunca desanimada. Pelo contrário, foi nessa mesma época que ela decidiu seguir sua intuição e partiu rumo à capital paulista. Em São Paulo, logo começou a trabalhar como empregada doméstica. Depois, casou-se e deu luz aos seus dois primeiros filhos – são quatro herdeiros, no total.

Mas mesmo com tantos afazeres dentro e fora de casa, ela nunca se esquecia daquela voz interior que lhe dizia para estudar. “Decidi voltar para a escola e finalizar o Fundamental II. Empolgada com essa nova fase, prestei um concurso público para trabalhar como inspetora de alunos e passei! Aí eu percebi que não podia parar e precisava também me formar no Ensino Médio”, relembra.

Esforçada, Alzira conquistou uma bolsa de estudos para cursar supletivo em uma escola particular. Nesta época, contou com a contribuição da diretora e dos professores da instituição, que a ajudavam a conciliar os estudos e tarefas domésticas. Trabalhando há pouco mais de dois anos como inspetora, ela passou a ajudar – e motivar – muitos de seus familiares que ainda se encontravam em condições difíceis no Paraná. Sua vida já havia se transformado, mas aquela voz interior não se calava: “estuda, continua, vai".

A busca pelo diploma

Estimulada pela companhia de uma amiga, a paranaense decidiu alçar mais um novo voo. Aos 33 anos, foi aprovada no vestibular para cursar Estudos Sociais. “Sem dúvidas, não foi fácil e o caminho longo. Naquele tempo, faculdade ainda era algo restrito à elite. Foram quatro anos tomando seis conduções para ir e voltar da instituição, me desdobrando para conciliar estudos e trabalho”, recorda.

Em pouco tempo, já no segundo ano de faculdade, veio também um novo desafio profissional. A busca constante por estudos levou Alzira mais uma vez para a sala de aula: dessa vez como professora de história e geografia, influenciando e inspirando milhares de alunos com a sua trajetória de vida.

Por muito tempo fui a única pessoa da minha família a ter um diploma. Hoje, boa parte dos meus filhos e netos são formados, alguns têm até pós-graduação! Lecionando, consegui ajudar vários alunos, pois muitos deles carregam na memória uma infância difícil como a minha. Pude, de alguma forma, compartilhar a minha vivência com eles e mostrar que mudanças são sim possíveis”, afirma Alzira, que até hoje recebe mensagens carinhosas de seus antigos alunos – seja nas redes sociais ou nos encontros pelas ruas do bairro.

Não para, não

E não pense você que a fome de saber de Alzira foi saciada depois da conquista do Ensino Superior. Recém-divorciada e passando dos 50 anos, a professora escutou mais uma vez aquela voz interior. Foi lá e concluiu sua pós-graduação em gestão escolar

O estudo foi a minha grande chance de mudar minha condição de vida. Graças a ele consegui chegar até onde eu nem tinha sonhado antes!”, finaliza.

Leia Também

Venha apoiar uma às outras:

Junte-se às mulheres que fazem acontecer

Produtos com o ativo