Como fazer um detox digital pode ajudar a focar no autocuidado

A história da Lígia Menezes, que saiu das redes sociais para ter mais tempo para se cuidar

Quantas vezes você checou seu celular hoje? E com que frequência você percebe que passar muito tempo vendo fotos de outras pessoas te fez mal? O autocuidado e a importância de se cuidar estão, muitas vezes, relacionados à maneira como lidamos com as redes sociais. E a verdade é que nossa relação com as redes sociais pode ser tóxica.

Lígia Menezes é uma jornalista de 32 anos, que mora com o marido e seus cachorros em Curitiba (PR). Em 2016 concluiu que as redes sociais não estavam fazendo bem: “O fim do ano chegou e eu sentia que algo precisava mudar. Na época, a consciência de que as redes sociais eram tóxicas não veio imediatamente. Na verdade, eu tinha uma vontade antiga de escrever um livro e essa foi minha resolução de ano novo. Decidi me desafiar e colocar em prática algumas ações que fariam bem para minha saúde e para minha vida. Todas essas ações durariam 21 dias. Entre elas, acordar duas horas mais cedo, correr todos os dias, ficar sem reclamar, não comer açúcar, praticar yoga e desintoxicar das redes sociais e whatsapp”.

Mas por que 21 dias? Lígia explica que, segundo diversas pesquisas, é esse o tempo necessário para você mudar seus hábitos. Ao definir quais seriam esses desafios, ela viu que fazer um detox virtual era uma prioridade. “Antes de tudo, quero explicar o motivo de me impor tal desafio: vício. As redes sociais se tornaram um vício em minha vida. Se eu acordava durante a noite e por algum motivo não voltava a dormir instantaneamente, adivinhe? Lá ia eu para as redes sociais ou para as mensagens, perdendo deliciosas horas que poderia ter de sono. Durante o dia também era assim. De 10 horas trabalhadas por dia, perdia cerca de 3 horas de produtividade só em redes sociais. Chutando baixo. Sem contar o tempo que passava apenas desbloqueando o celular para ver se tinha mensagem”, lembra.

E os problemas não paravam por aí. “Além da minha produtividade no trabalho, que havia caído, eu também estava me sentindo vivendo em um mundinho à parte. Usava o Facebook para me informar, sequer lia sites de notícias. Vivia de manchetes e da opinião da minha rede de contatos. Me sentia sufocada com isso. Com tudo isso em mente, era hora de seguir minhas vontades, escutar meu coração e encarar um desafio que mudaria minha vida”.

A HORA DO DETOX

Quando o dia de começar o desafio chegou, Lígia criou um plano de guerra. “Desinstalei o Whatsapp do meu celular. Uma semana antes, avisei aos amigos que estaria à disposição para falar ao telefone, mas não mais no Whatsapp.

Também desinstalei aplicativos do Insta e Face – e pedi para meu marido mudar a senha deles”, explica. Não foi fácil, mas em poucos dias passou a ser prazeroso. “Eu desbloqueava o telefone e não tinha o que fazer com ele. Bloqueava novamente. O celular voltou a ser apenas um telefone. Meus amigos e família começaram a me ligar. Como foi legal ouvir a voz das pessoas e ter conversas inteiras sem interrupções. Em algumas notícias de amigos, fiquei atrasada por não estar nos grupos. Fiquei sabendo, com 3 dias de atraso, que um amigo nosso ficou noivo”, lembra.

Nessa etapa, a jornalista já se questionava se aquela paz que começou a sentir era passageira. O dia começou a render mais, a produtividade no trabalho aumentou e ela começou a planejar o que gostaria de fazer, a pensar no que a fazia bem. Leu mais, se cuidou mais, começou a se conhecer melhor. “Eu me sentia feliz. Estranha, mas feliz”, explica. É engraçado, mas ao seguir sua intuição e fazer o detox virtual, escutar sua voz interior ficou ainda mais fácil.

As mudanças reais do detox virtual

“Acho que todo mundo deveria experimentar esse desafio. É muito gratificante ver o tempo sobrar – e usá-lo para coisas que realmente aproveitamos. Muita gente reclama que o dia deveria ter mais horas. Eu acho que a gente deveria parar de gastar horas com coisas sem importância. E as redes sociais, claramente, não têm tanta importância. É um mundo de ilusões, em que as pessoas escrevem como gostariam de ser mas que, na prática, pouquíssima gente segue realmente o que posta. É um mundo divertido, mas que pode causar inveja e, em muitos casos, depressão”, afirma.

O sentimento de leveza que sentiu, para Lígia, estava totalmente associado ao fato de ter ficado sem julgar os outros, sem ser bombardeada a todo tempo por opiniões diferentes, preconceitos e por não ser impactada por “vidas perfeitas”. Ao se desconectar você passa a se conhecer e a se cuidar mais. Para entender melhor, Lígia faz um convite à reflexão: vá a um restaurante com seus amigos e olhe nas mesas ao redor. Você verá que o relacionamento entre dois amigos ou até entre um casal nunca é exclusivo deles. Eles sempre estão conversando com outras pessoas online ao mesmo tempo. “A vida está dispersa. A gente sequer consegue tomar um café sem interagir com outras pessoas online”, alerta Lígia.

Dois anos depois…

Assim que o desafio acabou, Lígia reinstalou o Whatsapp, mas desativou todas as notificações. Outra coisa que fez foi desligar o aviso de leitura do app. O Facebook não voltou para seu celular, apenas para o desktop. O Instagram segue no celular, mas é muito menos utilizado. “Essas pequenas atitudes nos ajudam a não ter obrigação de responder na hora. Faz a maior diferença no psicológico”, aconselha.

Atualmente, Lígia está muito mais leve. “Estou muito mais desligada das redes sociais. Muitas vezes, saio de casa e deixo o celular – e não me sinto 'nua' sem ele. Fuçar na vida dos outros... bem, ainda acontece, mas após um tempo, me sinto perdendo tempo mesmo, me incomoda ficar com a cara no celular. E desligo”, conta.

Para ela, com certeza valeu a pena detectar seu vício e fazer algo para mudar. “Me sinto mais livre, com menos imposições, leio menos opiniões alheias, me comparo menos, fico mais feliz, tenho tempo pra mim. Esse foi o resultado mais duradouro do meu desafio – e, claro, fez com que ele valesse super a pena”, conclui.

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